GREIN
Advocacia
Trabalhista

Licença-Paternidade vai para 20 dias: O que isso muda na sua empresa?

A lei saiu. Foi sancionada em 31 de março de 2026 e já está publicada. A partir de janeiro de 2027, todo pai empregado terá direito a mais do que aqueles 5 dias de sempre. O prazo vai subindo aos poucos até chegar a 20 dias em 2029.

Se você é empresário, provavelmente já está se perguntando: quanto isso vai me custar? A resposta curta — e que talvez te surpreenda — é que o peso maior não fica com você. Mas calma, vamos por partes.

Como vai funcionar a transição?

Nada muda de uma hora pra outra. O aumento é gradual:

AnoDias de Licença
20265 dias Atual
202710 dias
202815 dias
2029 em diante20 dias Novo

Ou seja, 2026 é o seu ano de preparação. Use-o bem.

“Mas quem paga essa conta?”

Essa é a pergunta de ouro — e a resposta é a melhor parte da lei para quem emprega.

Até hoje, aqueles 5 dias saíam inteiramente do bolso da empresa. Sem reembolso, sem compensação, sem conversa. Com a nova lei, o cenário muda: o INSS entra na jogada.

Como funciona na prática

O mecanismo é parecido com o salário-maternidade: você continua pagando o salário do empregado durante a licença e depois compensa esse valor nas contribuições previdenciárias que sua empresa já recolhe. Para micro e pequenas empresas, a lei garante reembolso direto em prazo razoável.

Na prática, o impacto financeiro real para a empresa é de fluxo de caixa — você adianta e recupera. Não é um custo novo permanente.

Quem tem direito?

A lei ampliou bastante o alcance. Agora entram no direito à licença-paternidade:

  • Trabalhadores CLT (como sempre)
  • Trabalhadores domésticos
  • Trabalhadores avulsos
  • MEIs
  • Segurados especiais do INSS

E vale tanto para pais biológicos quanto adotivos — sem distinção.

Pontos que exigem sua atenção como empregador

⚠️

Estabilidade Provisória

O empregado não pode ser demitido sem justa causa desde o início da licença até 1 mês depois que ela terminar. Demissão entre a comunicação e o início do afastamento gera indenização em dobro.

👶

Criança com Deficiência

A licença aumenta em 1/3. Em 2029, por exemplo, seriam aproximadamente 27 dias de afastamento — planeje com antecedência.

🏥

Internação da Mãe ou do Bebê

Se houver internação após o parto, o relógio da licença só começa a rodar na alta hospitalar. O afastamento total pode ficar bem maior do que o previsto.

🗓

Emenda com Férias

A lei permite tirar férias logo na sequência da licença. Em 2029, isso pode significar 50 dias fora (20 de licença + 30 de férias). Planejamento de equipe é fundamental.

📋

Fracionamento

O empregado pode pedir para dividir a licença em dois períodos. Isso pode ser bom ou ruim para a operação, dependendo do caso — mas é direito dele.

E se o pai não cumprir o papel?

A lei tem uma trava importante: durante a licença, o empregado não pode exercer outra atividade remunerada e deve efetivamente participar dos cuidados com a criança. Além disso, o benefício pode ser suspenso ou negado se houver indícios de violência doméstica ou abandono material.

O que fazer agora?

Mesmo que as regras só mudem em janeiro de 2027, o momento de agir é este.

  1. Atualize seus documentos internos Regulamento, manual de RH, políticas de afastamento — tudo precisa refletir as novas regras antes que o primeiro caso apareça.
  2. Converse com seu contador O mecanismo de compensação com o INSS precisa estar alinhado com o setor financeiro. Não deixe para resolver isso quando já tiver um empregado afastado.
  3. Prepare suas lideranças A estabilidade provisória e as regras contra discriminação por situação familiar podem gerar passivos trabalhistas se os gestores não estiverem orientados.
  4. Planeje a cobertura de funções Com afastamentos maiores, você vai precisar pensar em redistribuição de tarefas — especialmente em equipes enxutas.
  5. Fique de olho na regulamentação A lei remete vários detalhes a regulamento futuro, como o procedimento de reembolso para pequenas empresas. Haverá novidades nos próximos meses.

Respostas rápidas

Já está valendo?
Não. Em 2026, a licença continua sendo de 5 dias. As novas regras começam em 1º de janeiro de 2027.
Funcionário que virar pai em dezembro de 2026, como fica?
Vale a regra da data do nascimento. Nasceu em 2026, são 5 dias.
Pai adotivo tem o mesmo direito?
Sim, exatamente o mesmo.
Posso demitir o empregado na licença?
Só por justa causa. Fora isso, a demissão é vedada até 1 mês após o término da licença.
Empregado doméstico também entra?
Sim, e nesse caso o INSS paga diretamente.
A licença pode ser dividida?
Pode. Em dois períodos, por requisição do empregado.

A nova licença-paternidade não é apenas mais uma lei — é uma mudança na dinâmica do trabalho que vai afetar planejamento, custos e gestão de pessoas na sua empresa. Com orientação certa e antecedência, a adaptação é tranquila. Entre em contato conosco e agende um horário com um dos nossos especialistas.

Artigo publicado em abril de 2026 · Baseado na Lei nº 15.371/2026 e na LC nº 229/2026
A regulamentação complementar ainda está pendente e pode trazer detalhes adicionais.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *